Filosofia e Palavras Perdidas


Felicidade em Sociedade - Entraves.

É interessante utilizar-se da Filosofia - a minha, aqui no caso, parcamente estudada - para responder a perguntas do cotidiano, mesmo que muitas das vezes esta matéria se encontre além dos nossos horizontes de reflexão. O campo que mais me agrada, nesta área de conhecimento, é a dualidade entre a Razão e a Emoção, e como muitas vezes elas se confundem, e como diretamente se influenciam mutuamente.

Para os que leram Platão, podemos perceber várias interpretações possíveis para o amor de Eros - não confundir com amor-erótico - no Banquete. A que se mantém, ao final do grande debate entre filósofos descrito - e provavelmente criado - por Platão é que Eros (Amor) não é deus, mas também não é humano. É um intermediário entre o Reino dos Deuses e a Terra dos Homens. Claro, podemos perceber isso no fato de quando o amor existe e é compartilhado pelas duas partes, os apaixonados muitas vezes se sentem no paraíso, onde nada poderia ser mais perfeito. Coloca-se a famosa lente cor-de-rosa e se deixa levar pelos seus sentimentos e emoções em sua nova condição de apaixonado.

Calma, não se confunda. Se deixar levar pelos sentimentos não significa deixar de lado totalmente a razão e se tornar um animal composto somente por instintos e vontades reprimidas, desconhecedor do bem e do mal, um Bom-Selvagem dotado somente do amor por si - diferente do amor-próprio -, da piedade - sentimento de comoção pelo próximo - e do amor pela pessoa amada, como diz Rousseau ao descrever o homem pré-social.

Devemos lembrar que já vivemos, sim, em sociedade, e que todos os homens estão, inegavelmente, enterrados por seus limites, suas artes, direito, política, filosofia, história, enfim, de tudo que nos é colocado em nossa Tábula Rasa desde que nascemos, como diz Locke. Não esquecendo que essa Tábula Rasa também não é tão rasa assim, pois nascemos de pais que ja viveram antes de nós e que, teoricamente, nos criarão a partir de seus preceitos, a partir da educação que tiveram, a partir da classe em que ocupam na sociedade - nos mostram muito bem Marx e Engels em seu Manifesto que o homem tem algo antes de si mesmo. Resumindo, nossa razão existe em nossa sociedade, é adquirido individualmente todo o conhecimento social, mas sem esquecer dos entraves já colocados previamente pela sociedade nesses conhecimentos.

Ou seja, constantemente nos vemos submersos em um misto de resquícios de nossa condição pré-social, inteiramente "instintiva", e nossa condição social que pede de nós cada vez mais uma racionalidade, exposta ou implícita, de nossos atos cotidianos. Observa-se também uma inexorável moldagem de nossas vontades por nossa racionalidade, ou seja, não podemos controlar nosso subconsciente sociológico quando este nos impõe limites - os famosos Fatos Sociais. Exemplo? Você está com uma puta vontade de comer chocolate, mas está de dieta. Você se controla absurdamente e acaba passando a vontade - bom exemplo pra se dar depois de uma semana de Páscoa.

Mas não sejamos maniqueístas também de pensar que a sociedade nos controla e que não podemos transforma-la. Existe uma transição contínua entre o indivíduo e a sociedade, e esta sempre apresenta os caminhos desviantes dentro de suas várias variáveis. Liberação sexual, superações dos diversos racismos e maior aceitação da homossexualidade estão aí pra isso. Então pensemos que a sociedade não é exatamente um cubo de cristal, o qual nunca poderemos atravessar... talvez não consiguemos transforma-la por completo, mas mudar o pensamento de nosso ciclo social já ajuda bastante, para que possamos ter mais liberdade sobre nossas vontades e talvez assim conseguir uma maior felicidade pessoal, por mais que isso pareça ser extremamente hedonista.



Escrito por Bruno às 23h28
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Desabafo

Me sinto chateado pelo fato da minha vida estar uma bagunça. Eu penso em organizar, penso, penso, penso, e não consigo, não sei porquê. Acho que esse negócio de ser racional já está acima do peso para a minha mente, pois parece que sinto a necessidade de me tornar cada vez mais sensato e centrado nos meus objetivos principais, sejam eles sentimentais ou materiais. É como prometer algo a si mesmo e não cumprir.

Prometi, no caso, várias coisas CRUCIAIS para a minha vida: prometi a mim mesmo que congelaria meu coração e que não teria mais recaídas - e nada de sentimentalismos tolos de "ah esse tipo de coisa a gente não consegue controlar", pois racionalmente se consegue: consegui por meses. Prometi também que estudaria mais, que procuraria algo para fazer, que daria mais valor a quem me desse valor. Nada disso tem estado estável na minha vida.

Minha mente é um livro aberto, mas para aqueles que se dão ao trabalho de ler. Para mim mesmo, minha mente tem sido um ensaio de Hegel escrito em aramaico arcaico. Preciso de um OBJETIVO, nem que seja para falhar no final, mas para percorrer o caminho até ele: sem pessimismos, pensando que tenho chance e que posso qualquer coisa que quiser. Mas a cada dia me arrependo de não estar fazendo o melhor para a minha vida, de perceber que esta está tão desorganizada quanto esse próprio texto: repetitiva, triste...

E o pior é aquele ar de melancolia quando se está sozinho, da incapacidade de acordar de manhã, olhar no espelho aquele rosto inchado e falar: "taí uma pessoa feliz".

Preciso de um objetivo.
Um objetivo que me dê um mínimo de esperança concreta, para que eu tenha ânimo para percorre-lo, mesmo que no final eu não o alcance.

Concluindo:
Textos desabafos são tão caóticos quanto deixar cair uma pilha de livros diferentes no chão e tentar lê-los na ordem. Tão caóticos quanto a vida.

E escreve-lo ajuda a organizar as idéias.

[ Desculpem o texto, tá foda. Uma hora, explode. ]

Apocalyptica - Bittersweet



Escrito por Bruno às 02h11
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Deitado em pedras a beira mar...

E lá estava eu, deitado em pedras naturais mais confortáveis do que colchões, apoiado em mãos mais macias que travesseiros e sentindo o vento vindo do mar, mais agradável do que um ar condicionado.

Observava o céu e ouvia a batida das ondas. As núvens passavam por cima de mim, em uma uniforme desformidade. Tento encontrar as estrelas certas para formar imagens, porém acho difícil ver algo realmente significativo: como são criativos os que criam as constelações! Talvez isto aconteça por eu ser exigente demais quando relacionado as ligações, tanto das estrelas quanto em mim.

De repente, vejo um cometa, rasgando com seu brilho um céu cheio de gotas também prateadas. É impressionante como seu corte pelo universo faz uma parábola perfeita, até sumir na atmosfera terrestre. Parece que Deus mandou aquela luz em movimento para me ensinar como passar a caneta imaginária no papel do firmamento.

Depois de ver o cometa se movimentando, foi fácil imaginar parábolas e linhas ligando as estrelas e mostrando amigos, família, pessoas especiais que, como um reflexo do coração, eram espelhados no céu em uma forma etérea e da maneira mais bela e perfeita possível.

Enquanto as nuvens escuras iam passando, eu ia percebendo que certos momentos são, sim, perfeitos. E estes estão guardados naquela gaveta ao lado da memória, que podemos abri-la e ver aquelas imagens e que devem nos trazer felicidade, não tristeza, por terem passado. Tudo passa, e nada fica, além do que podemos guardar nessa gaveta. Percebi também que não devemos nos privar de desenhar no céu novos momentos felizes por medo de cobrir os antigos. Os antigos NUNCA serão cobertos. São como camadas: podemos usar as mesmas estrelas, mas as imagens formadas antes não desaparecerão de nossa gaveta.

E romper o ar foi mais duro que deitar sobre uma pedra. Enquanto as estrelas davam lugar ao Sol e o céu escuro se transformava em um laranja bem claro e num azul, eu me levantava, deixando aquela explosão de pensamentos quieta, mas com a certeza de que aprendi alguma coisa, simplesmente olhando o céu.



Escrito por Bruno às 18h13
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Um pequeno texto sobre corações e poesias.

É engraçado como um bloqueio mental aterroriza, realmente, a mente de um poeta. Nós sentimos, as palavras voam por dentro de nossas mãos imaginárias e não conseguimos pegar as necessárias para construir uma poesia, as vezes sequer um verso. É provável que isso seja por causa do estado emocional do poeta: pessoas correspondidas ou pessoas sofrendo botam em palavras seus sentimentos com mais facilidade.

Mas existe uma explicação lógica (ou não. Usar lógica pra poesia é como ser parnasiano. E apesar de gostar dos sonetos, das métricas e das rimas, passo longe de uma máquina de versos) para essa ligação amor-poesia. Realmente, quando se está apaixonado, os sentimentos ficam em evidência e estamos mais propensos para entender, ou pelo menos achar que entendemos, o que está acontecendo em nossos corações. É como ver uma águia - ou uma cobra - e ter certeza que ela voa.

Sendo assim, a caneta desliza sobre o papel com facilidade, quando a tinta mental é o amor - idealizado ou não. Mas e para quem não está apaixonado? É dificil escrever algo sobre um coração congelado, porque um coração congelado não sabe exatamente o que está sentindo. Aliás, ele se recusa a sentir qualquer coisa: seja raiva, amor, felicidade, tristeza, solidão, ciúme, stress. Talvez essa recusa seja causado pelo medo de ver uma cobra voando, ou de uma águia perdendo as asas, ou de uma águia se transformar em uma cobra aos poucos e envenenar toda a sua vida. E muitas das vezes, essa defesa congelada é natural: não se escolhe ser assim, simplesmente se é - ou se torna.

Porém, chega um momento que o coração congelado não agüenta a um calor constante. É como um rio segurando a correnteza do mar. Ele pode até aguentar por um tempo, mas logo as ondas vão tomar conta de suas margens e este perderá seu curso - a não ser que seja um Amazonas. E a poesia é como o próprio mar: ela vem forte, com milhões de ondas de palavras tomando conta de nossas praias, e cabe a nós entrarmos no mar e conseguirmos molda-lo como um rio, com uma correnteza fluente e organizada.

Logo...
Quando o mar vence o rio, surge a poesia.
Quando a sensibilidade vence a frieza, surgem as poesias.

 

 

[ Vejo uma luz ilusionária de inspiração? Talvez. ]



Escrito por Bruno às 01h20
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Corações de Mármore

Eu quero teu sorriso grudado aos meus lábios
E meus olhos seduzidos por teus olhos
suaves.
Nossos braços protejendo nossos corpos, um ao outro
Minha mão enlaçada a tua, na pura rua refletindo a lua.

E não quero que meus versos brancos jogados na noite escura
Sejam palavras vãs aos teus ouvidos
E sentimentos descartados ao teu coração de mármore.

Ao teu? Não só ao teu. Ao nosso coração de mármore.
Pois assim o meu se tornou também, ao contemplar o teu.
Que assim como os opostos se atraem e os iguais se repelem,
Nossos corações se afastam como elétrons congelados,
E, assim, fazem teu sorriso e meus lábios.

 

 

(Não, não necessariamente é o que eu estou sentindo. Só veio uma hipótese na cabeça. E voltei a escrever.
Um dia volto aos meus sonetos, quadras e etc.
Mas por enquanto, deixe-me livre... por mais que menos bonito.)



Escrito por Bruno às 00h49
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Explicação da busca pelo amor a partir da Filosofia Pré-socrática

"Will Heaven come down to me
 Or will I have to rise up to it?"

Considere-se dois filósofos contrários da antiguidade grega: Parmênides e Heráclito. Parmênides, falando sobre a essência de tudo, diz que existe uma verdade absoluta em um plano totalmente diferente do nosso (algo que provavelmente Platão se inspirou em sua "filosofia das idéias"). Heráclito utilizava-se da expressão "Panta Rhei", que significa, literalmente, "Tudo passa", ou seja, defendia a efemeridade das coisas, que tudo não é e nem inexiste, mas que está sendo e que depois de um tempo deixará de ser para se tornar outra coisa. Uma eterna transformação. Agora, puxe as duas idéias para os sentimentos. No caso deste texto, puxaremos para o amor (de Afrodite, não de Eros, ou seja, um amor que busca a beleza e não aquele amor fraternal, que sentimos por familiares e amigos), pois é algo que todos os seres humanos procuram com fervor.

A partir de Parmênides, pode-se aproveitar a questão da ESSÊNCIA do amor. Algo que não muda, e que caracteriza esse sentimento. No caso, o querer-bem, a amizade, o desejo de querer por perto, o desejo de possuir o objeto amado por tempo indeterminado para fazer bem a ele - dando a aparência de um sentimento eterno. Isso tudo é invariante em relação a qualquer amor puro, que não tenha nada externo ao amante e ao ser amado interferindo.

Utilizando o ponto de vista de Heráclito, percebemos que esse amor nunca será eterno, por mais que a pessoa se iluda. Esse amor vai se transformando, até se tornar, a princípio, um amor impuro - talvez a obsessão, talvez o egoísmo se misturem a esse sentimento - até se extinguir totalmente e se perder, dando lugar a sentimentos e emoções totalmente diferentes.

Fazendo a dialética entre os dois, utilizando-se como hipótese de que o ser humano está sempre em busca, principalmente, do Amor na Terra - pelo fato dele fazer bem e ajudar, e MUITO, na felicidade e na realização de outras tarefas, dando ânimo e sentido à vida -, pode-se tirar algumas conclusões: o homem procura o amor em sua ESSÊNCIA, onde tudo é perfeito e que, se correspondido, tem bases concretas para se manter por muito tempo, existindo um desejo de que exista daquela maneira para sempre. Porém, por mais que a estrutura deste amor seja sólida, ele um dia se tranforma, e esse ser que amava passa agora a procurar o amor essencial em outra pessoa, até encontrar e ser correspondido novamente, e assim cria-se um ciclo vicioso o qual o indivíduo está totalmente preso. A partir disso tudo, podemos concluir que a vida do ser humano se baseia na busca pelo eterno inexistente, onde precisamos nos prender a alguém para nos sentirmos livres, e quando estamos "soltos" nos sentimos presos a nossa busca por esta outra pessoa.

 

 

 

[ Argh, ignorem a viagem e a má formulação do texto, o escrevi as 4h da manhã a partir de uma idéia surgida na aula de Filosofia Antiga de sexta-feira ^^" Boa noite pra todos o/ ]



Escrito por Bruno às 04h30
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Uma noite de poesia

Passei a madrugada lendo poesias
viajando em minha imaginação.
Estava ao seu lado - e tu dormias
e prendias toda a minha atenção!

Pois, em teu cabelo eu me perdia,
pelas costas, uma longa carícia.
Saía, de meu lábio, poesia,
Em seu rosto, carinho se inicia.

Por sua pele, meus dedos passeando,
Passando por tua boca: tão sublime!
Num simples movimento, me calando:
Roubaste-me as palavras, como um crime!

Me calaste com apenas palavras
Eu, junto a ti, ouvia ali deitado:
Lentamente, dizia que me amavas
Sorri, beijei-te e dormi ao seu lado!

[ Fiquei de 1:30 da manhã até as 3 fazendo esse poema... é basicamente um sonho acordado meu, despertado hoje por leitura de poemas do Romantismo :)
Espero que gostem ]



Escrito por Bruno às 03h08
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A Dança Triste

Que olhos tristes, que tristes olhos!
Diga-me, por que tamanha tristeza?
Pois vejo em seus olhos nossos filhos
Brincando nas ruas de Veneza!

Calados olhos, olhos calados.
Não dizem nada, além de suspiros.
Eu, dando carinhos desesperados
Você, recebendo da dança os giros!

Pois giras, na dança, e olhas pro chão
E toco suave em tua face
Não vejo nenhuma reação
De tua vontade para que nossos dedos enlace!

Então anime-se, amada minha
Ouça dentro da música suave
O sorriso que um dia tinha,
E esta lágrima, que su'alma lave!

 

[Poema que comecei a alguns meses atrás... não terminei... o vi hoje e terminei... espero que gostem.]



Escrito por Bruno às 03h25
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Felicidade

Felicidade

"o que é felicidade pra você Bruno?"

Eu e minha preocupação em responder tudo que me é perguntado... eu e minha preocupação em ser racional.

É, existem varios conceitos de felicidade. Um sorriso sincero é, por si só, uma felicidade, por exemplo. Então, vamos por partes:

Toda felicidade é temporária. Você quer felicidade eterna? Nem dormindo para sempre, porquê ainda existem os pesadelos. Tendo em mente que toda felicidade é temporária - as vezes a gente se ilude, pensando que aquela felicidade vai durar para sempre, mas deixaremos ilusões de lado -, vamos levar em consideração dois fatores: tempo e grau de importância na sua vida - que estão muito ligados.

Vou me utilizar de uma frase poética de Fernand Braudel - historiador muito importante, da segunda geração da Escola dos Annales - para descrever acontecimentos a curto prazo, uma visão que ele teve quando esteve na Bahia: "eventos são como vagalumes na noite. Quando eles aparecem, são logo consumidos pela grande escuridão noturna". Imaginem a felicidade de, por exemplo, sair com os amigos a noite. Vocês bebem, se divertem, conversam, soltam gargalhadas, e, assim, você fica feliz. Aí você chega em casa, meio bêbado por causa de algumas tulipas de chopp e olha em volta. Nada mudou. O vagalume foi consumido pela escuridão. Esse tipo de felicidade é ótima, maravilhosa, porém efêmera e não é a que eu procuro.

A felicidade que procuro é uma felicidade duradoura e modificadora. Uma que eu chegue em casa e perceba que o sorriso bobo e de criança ainda não saiu do meu rosto. Uma felicidade que eu possa olhar nos meus olhos de manhã, depois de um sonho prazeroso, e falar "olhe para mim, eu estou feliz!". O que eu quero é um SOL para a minha escuridão, mas como isso é deveras difícil, me contento com uma Lua. O que esta Lua pode ser? Talvez um grande amor. Talvez uma realização profissional. Não sei, na verdade procuro as possíveis Luas para meu céu cheio de estrelas e vagalumes.

Felicidade é algo para se "estar", e não para "ser". E viva Heráclito: "tudo passa... tudo passará...". Felicidade ou tristeza. Sorriso ou lágrima. Sol ou escuridão. Tudo passa.

 

[Pergunta retirada de um comentário no fotolog.
E, como sempre: "Bruno, você se preocupa demais..."]



Escrito por Bruno às 02h27
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O Texto

As imagens vinham com tanta inspiração, chegavam ao papel e logo eram apagadas. Maldita borracha! Se ela não estivesse ali, todos seus pensamentos estariam no papel. Não conseguia se desfazer aquele objeto. De alguma forma, precisava organizar suas idéias, tão confusas quanto o mapa político da Europa.

Uma colcha de retalhos. Suas idéias, escritas no papel, pareciam falar de vários assuntos diferentes, aparentemente sem nenhuma coerência lógica. Em meio a versos e frases, porém, se o leitor se concentrasse, encontraria um sujeito indeterminado o qual todos os predicados flutuariam em volta.

Apagava novamente o nome dela. Como era dificil ser impessoal naquele momento! A luz era fraca. Aliás, quase nenhuma, pois na tarde daquela mesma noite havia caído um temporal bíblico em sua cidade, e a luz estava em falta em todo o bairro. A luz de um par de velas, as palavras continuaram a ser jogadas naquele caderno antigo.

Por um momento, olhou pela janela em direção a rua. A imagem era desoladora, porém tranquilizante. A tempestade havia se reduzido a uma chuva normal, a rua em que morava estava escura, sem luz e calma. Respirou fundo e escreveu novamente. Apagou. O nome dela não saia de sua cabeça. E do papel.

Escrevia, escrevia, escrevia.... apagava, apagava, apagava... Não havia, até aquele momento, se declarado a ela. De repente, um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente e de sua mente. Era música para seus ouvidos. Quando aproveitou o momento para escrever o seu texto, a luz voltou. Gritaria pelo bairro, berros de felicidade. Desconcentrou-se, e voltou a pensar somente no nome dela.

Enfim, resolveu escrever uma carta. De amor.

 

 

[Texto do começo do ano... estava vendo meus textos antigos... realmente jorravam sentimento deles. Hoje em dia eu faço textos tão racionais........ sinto falta daquela sensibilidade que eu tinha para as sensações simples, que nos toma o corpo todo...
O problema é que ser emocional demais acaba nos levando a ilusões, e ultimamente o que eu NÃO quero é ilusão. Busco a realidade e a sinceridade, acima de tudo. Então, estou me tornando mais racional e menos espontâneo.
Será que uma vida sem ilusões pode ser uma vida feliz?]



Escrito por Bruno às 11h48
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A Guerra que levou o amor

"Seu menestrel, seu cavaleiro
Seu camponês, somente um servo
Na luz do dia, seu pé lavo
Na escuridão, sou seu guerreiro!"

É na noite que corações batalham
abaixo de sua sacada,
esperando sua facada
Com palavras que nunca falham!

Espadas que lutam na neve,
Escudos defendem o peito.
Com honra recebe respeito
Que todo coração ferve!

Oh, ouçam dela o lamento!
Sem menestrel ou cavaleiro,
sem camponês ou guerreiro:
ficou a princesa em sofrimento!

 

[ Pensei em explicar o poema, mas isso acaba com as diversas interpretações possíveis ^^ Espero que gostem ]



Escrito por Bruno às 14h30
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O Caminho da Maturidade

Aquele jovem não via nada, apenas sombras, sombras e mais sombras. "Onde estou?", pensou.

Tocou em seu rosto e não se reconheceu: não tinha tantas rugas. Tateou em volta e não acreditou: nunca havia se sentido tão sozinho.

Uma voz soou no meio da escuridão. Era uma voz feminina, com certeza, mas não a reconhecia. Não havia nada a fazer, se não segui-la.

A voz estava ficando cada vez mais forte e mais alta. Falava seu nome. Realmente o chamava. Seria uma armadilha? "Qualquer armadilha é melhor do que isto", pensou.

Chegou a um degrau. Não era o primeiro que havia encontrado. Subiu no degrau e sentiu suas rugas aumentarem. O interessante era que, dali em diante, os degraus alternavam: ele descia um e subia outro, mantendo-se, então, revesando entre dois níveis. Quando descia, seu rosto ficava mais liso. Quando subia, seu rosto ficava mais enrugado.

A voz vinha de cima. Ele continuava, às escuras, procurando o próximo degrau. Entre tropeções e escorregões, ele encontrou mais um para subir um pouco mais. Seu rosto se enrugou mais, tendo uma aparência mais velha ainda. Novamente ele andava entre degraus de subida e descida, como em um gráfico matemático de onda.

Será que vou aguentar? Estou cansado. Não aguento mais lutar, mas tenho que continuar. Não tenho escolha. Tenho que continuar andando para sobreviver. Tenho que encontrar meu caminho. Mas é tão desgastante... é tão intenso e vai minando minha energia... queria estar como se tivesse no térreo: Tinha forças para tudo e corria por um amplo chão, até chegar a esta maldita escada! Essa escada não é um direito, é uma obrigação. E lá em cima, aquela voz tão delicada me chama...

De repente, acordou. Em sua cama, olhou para seu quarto e percebeu que o caminho da maturidade é cego, difícil, solitário, desgastante e requer um imenso esforço, porém é necessário, pois a consciência nos chama para que, um dia, alcancemos seu grau mais alto, sua plenitude.

 

 

 

[Texto sobre o caminho para a maturidade de um adolescente. Quanto mais amadurecemos, mais percebemos o quanto queriamos ser crianças e correr por aí sem preocupações. A voz da mulher, no caso, é algum objetivo a ser alcançado. Os tropeços e escorregões que são o que realmente nos fazem crescer... é, basicamente isso ^^]



Escrito por Bruno às 16h41
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Apresentação

Salve pessoal.

Depois de aproximadamente uns 2 anos, estou aqui em um blog escrevendo novamente.

Sabe o que é estranho e que eu estava percebendo hoje? As palavras são limitadas. E REALMENTE são. A Língua Portuguesa (e nem mesmo a própria Literatura!) consegue expressar emoções com perfeição. Aliás, nenhum idioma consegue. Então, pra que se escreve?

Eu escrevo para chegar ao limite da significação das palavras. Utilizo metáforas constantemente, pois elas fazem um trabalho mental no leitor e melhoram, ou não, a compreensão. Faço de minhas palavras também as palavras de grandes filósofos, principalmente os gregos: Heráclito, Parmênides e Platão são meus preferidos. Enquanto escrevo, eu cultuo extremos, mas sem me contradizer em momento algum (a não ser que por um erro).

Pra você ver como eu me utilizo de extremos com freqüência: amo livros do chamado Romantismo (José de Alencar, Álvares de Azevedo, Fagundes Varella), mas tento ser o mais racional possível em minha vida cotidiana - apesar de, as vezes, eu não conseguir controlar as emoções através da minha razão e começar a, digamos, "cospir" palavras. Digamos que posso ser considerado, ainda que em uma escala bem mais sutil, um barroco. Como diria a professora Rosa Maria Ferrão de Português e Literatura - "com os pés na terra, mas com o nariz apontado para o céu". Aliás, a profª Rosa foi muito importante para a minha formação ideológica, e devo muito a ela.

Acho que somos, por essência, seres emotivos. O trabalho de nossa razão em cima dessas emoções ajudam a moldar e a fazer as escolhas certas para nosso futuro, vivendo em sociedade e na busca que temos para sermos felizes, no meu caso também deixar as pessoas que amo felizes.

Faço poemas de uma maneira bastante conservadora: procuro ser o mais fiel possível à métrica, procuro rimas ricas(apesar de nem sempre encontra-las) e não simplesmente "escrevo o que eu sinto". Acho que a poesia serve para moldarmos nossos sentimentos de uma maneira a se tornar arte, extraindo, como já disse antes, o extremo das palavras.

Faço faculdade de História e sou Católico. "Oh, como você consegue?". Simples. Minha vida espiritual não tem nada a ver com a minha carreira/paixão escolhida. E acredite, sou feliz em ambas as escolhas e sei dividi-las bem.

Sorria. A vida não é tão ruim assim, mesmo podendo ser melhor: simplesmente batalhe para melhora-la. Uma vez, meu grande mestre de Karatê (recém-confirmado 4° Dan!) falou: "Nunca se arrependa de nada na vida, mas faça tudo bem feito para nunca ter de se arrepender." Estes dois pensamentos, misturados a um pensamento social e preocupação com as pessoas que se ama, são praticamente minhas filosofias de vida.

Em falar nisso, minha consciência já falou pra mim assim: "Bruno, você se preocupa demais..." Sim, é verdade. Já falou também: "Bruno, você se expõe demais..." Sim, é verdade. E agora eu criei um blog para me expor mais ainda. Apesar de confiar bastante na minha consciência, acho que não a sigo por teimosia.

Aliás, teimosia é um dos meus piores defeitos. Quando eu quero algo, eu luto até o fim. O problema é que eu realmente não percebo quando é o fim. E quando eu percebo é uma dor nos olhos (Alegoria da Caverna de Platão, eu falei que me utilizo de filosofia).

Enfim, é esta a minha apresentação. Espero que gostem dos textos que escreverei aqui, e não tomem como minha vida propriamente dita nada que virá depois deste post. Aquele negócio de se expor e tal. Serão textos, simplesmente isso. Não vejam os textos como uma auto-biografia.

Beijos e abraços aos leitores :)



Escrito por Bruno às 17h59
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Nome: Bruno Marconi da Costa
Idade: 18 anos
Cidade: Rio de Janeiro

Atividades:
Karatê: Faixa Marrom (1° Kyo) de Karate Shotokan Olímpico
Faculdade: Terceiro Período da Faculdade de História na UFRJ

Músicas:
Black Pearl
Metal Melódico
Gothic Rock
Gothic Metal
Heavy Metal
BROCK 80
MPB
Bossa Nova
Música Clássica

Literatura:
Romantismo
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Simbolismo
Medievalista

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Marx
"Viva a vida
como se a própria vida
dependesse disso."
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